Há tempos, numa Acção de Formação Humana na qual estive presente, abordou-se a dualidade inerente às desculpas e ao perdão.
Não serão actos tão opostos quanto isso. Mas têm diferenças intrínsecas. Eventualmente não claras, mas explícitas na nossa alma. Naquilo que nos faz sentir mais tranquilos.
Do que ouvi, do que aprendi, do que me permiti ensinar, passei a entender o acto de desculpar como algo necessário para que as relações humanas prossigam. Como se nada fosse. Como se nada se tivesse passado antes, passo a expressão. Será um estado de ética da alma, digamos.
Desculpa-se para se seguir em frente. Ainda que a mágoa fique. Será um deixa lá isso agora, que tudo fica bem. Não defendo a ideia cliché de que as desculpas não se pedem; que se evitam. Pedem-se. Pedem-se, sim. O ser humano não é obrigado a agir correctamente nas vinte e quatro horas do seu dia. Erra. Engana-se. Engana. E deve pedir desculpa. Será, já, uma boa penitência. Um bom (re)começo. Mesmo que num cenário menos amplo que o do... perdão.
O acto de perdoar apresentar-se-á de forma mais lata.
Quem pede perdão, não vai, apenas, em busca de um esquecimento de algo passado, proposto num presente, para se dar asas a um futuro. Quem pede perdão e quem perdoa tem uma sincera vontade de recomeçar a viver... Com força interior e em paz. O perdão é o acto da reconciliação interior que permite virar costas à desordem ou ao caos que antes alguém cultivou.
O perdão é o arrependimento para quem o pede. A serenidade para quem o concede.
Perdoar, será assim, o acto que se une à tranquilidade do coração. Ainda que estejamos feridos. Ainda que jamais as relações humanas se voltem a estreitar.
Mas, por um segundo que seja, conseguimos estar de bem e receptivos a um novo sorriso que teima em brotar dos nossos lábios.
Perdoar poderá não ser um acto de reconciliação com quem nos destruiu um sonho. Mas é, com toda a certeza, o acto que nos permite voltar a sonhar. Porque a paz volta a nós. E o sono profundo volta a fazer sentido quando vamos descansar das atribulações oferecidas num todo e qualquer dia-a-dia.
Perdoar ensina-nos que depois da desilusão (ainda) há vida. A vida.
Isto levar-nos-ia, também, a um outro caminho: remorsos vs arrependimento.
Caminho que não percorrerei hoje convosco, ginastas que me lêem agora. Num outro dia, numa outra aula. Quem sabe.
Beijo forte a todos. Abraço apertado. E quente.
Verão feliz. E azul.
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terça-feira, 21 de julho de 2009
sexta-feira, 10 de abril de 2009
* * * PÁSCOA * * *
Páscoa é ser capaz de mudar,
é partilhar a vida na esperança,
é lutar para vencer toda a espécie de sofrimento.
Páscoa é dizer sim ao amor e à vida,
é investir na fraternidade,
é lutar por um mundo melhor,
é vivenciar a solidariedade.
Páscoa é ajudar mais gente a ser gente,
é viver em constante libertação.
Páscoa é renascimento, é recomeço,
é uma nova oportunidade para melhorar
as coisas que não gostamos em nós.
É sermos felizes por reconhecermos
que hoje somos melhores do que fomos ontem.
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